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Dívida externa cai, em novembro, com valorização do real

Estoque da Dívida Pública Federal se mantém no intervalo de referência

 

Gustavo Raniere/GMF

 

A dívida externa encerrou o mês de novembro em R$ 141,6 bilhões com redução de 0,54% em relação ao mês anterior. O valor total da Dívida Pública Federal atingiu R$ 2.716 bilhões, em novembro, com aumento de 2,66%. As emissões da títulos da dívida, em novembro, corresponderam a R$ 54,8 bilhões e os resgates a R$ 12,3 bilhões, com emissões líquidas de R$ 42,4 bilhões.

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, José Franco Medeiros, afirmou, nesta terça-feira (22/12), por ocasião da apresentação do resultado de novembro da Dívida Pública Federal, que o estoque deve encerrar o ano "dentro do intervalo de referência do PAF", o Plano Anual de Financiamento. Ele explicou que não há muitos leilões em dezembro, o último ocorreu na quinta-feira (17), e também não há fortes vencimentos neste mês.

Para Franco, em 2015, a gestão da dívida apresentou resiliência com a utilização de mecanismos construídos ao longos dos últimos anos". Franco listou quatro mecanismos que permitiram ao Tesouro atuar em períodos de volatilidade. "O colchão de liquidez, o alongamento de prazo, e a mudança da composição, com parcela menor de títulos flutuantes e de títulos indexados a taxa de câmbio". Uma outra defesa, segundo ele, foi a ampliação da base de investidores.

Composição

Na composição da carteira, houve aumento da participação de prefixados para 39,2% e queda na parcela de títulos indexados a índice de preço para 32,8% e de títulos remunerados por taxa flutuante para 22,6%. Esses dois tipos de títulos ficaram ligeiramente fora do intervalo de referência mínimo de 33%, no caso do índice de preço, e máximo de 22%, no caso de taxa flutuante. Franco explicou que "muito provavelmente esses três indicadores ficarão marginalmente fora do intervalo de referencia como já havia antecipado em outubro".

Franco frisou que o PAF "é um instrumento de transparência e serve para guiar as expectativas dos agentes econômicos". De acordo com normas internas do Tesouro, há previsão de duas revisões do Plano Anual de Financiamento ao longo do ano, em abril e agosto. Segundo Franco, "em agosto, se observou que o estoque a dívida ficaria fora do intervalo de referência se decidiu alterar. Em relação aos demais, o período de maior volatilidade veio em setembro".

Detentores

Os bancos aumentaram a participação entre os detentores da dívida pública passando para 24,3%. A participação de não-residentes e de fundos de previdência também subiram para 19,3% e 21,4%, respectivamente. Fundos de investimentos permaneceram com participação estável em 19,4% e a participação relativa do governo na carteira caiu para 5,8% .

Vencimentos

Em relação aos vencimentos, houve um alongamento maior do que planejado, em relação ao PAF. O percentual de vencimentos para os próximos 12 meses passou de 20,9% para 21,4%. O intervalo de referência foi fixado entre mínimo de 21% e máximo de 25%. Destaca-se que os vencimentos acima de cinco anos respondem por 56,5% do total. O prazo médio sofreu leve redução de 4,78 anos para 4,67 anos.

Tesouro Direto

As emissões de Tesouro Direto atingiram R$ 1.071 milhões, enquanto os resgates corresponderam a R$ 323,5 milhões, o que resultou em emissão líquida de R$ 748 milhões. O estoque do Tesouro Direto alcançou R$ 23,9 bilhões, o que representa um acréscimo de 4,6% em relação a outubro.

Em novembro, 17.027 novos participantes se cadastraram no Tesouro Direto, assim o total cadastrado chegou a 604.302, o que representa um incremento de 35,12% em relação ao mesmo período do ano anterior. "Refletindo uma estabilidade do programa", afirmou Franco.